O avanço das tecnologias em saúde tem ampliado significativamente o escopo das práticas de enfermagem, especialmente no cuidado de lesões, condições crônicas que comprometem a integridade da pele e cuidado sistêmico. Nesse contexto, o uso do Laser Terapêutico de Baixa Intensidade, também conhecido como fotobiomodulação, destaca-se como uma importante ferramenta adjuvante no cuidado integral ao paciente.
O laser terapêutico de baixa intensidade é uma tecnologia utilizada na enfermagem associada principalmente aos benefícios de estímulo à regeneração celular e tecidual, aceleração do processo de cicatrização, redução da dor e do processo inflamatório, melhora da circulação local e redução do risco de infecção secundária.
O enfermeiro é protagonista na avaliação, indicação e aplicação do laser terapêutico, sempre com base em conhecimento técnico-científico, protocolos assistenciais e capacitação específica onde, associado à tecnologia, permanece o olhar humanizado e individualizado, essencial no contexto do cuidado, seguindo-se o monitoramento da resposta tecidual.
Sua atuação é ampla, podendo desenvolver-se nas áreas de Enfermagem Dermatológica; Estomaterapia; na Atenção Primária à Saúde no auxílio ao tratamento de comorbidades desenvolvidas na comunidade; Enfermagem hospitalar nas unidades de internação clínica e cirúrgica, pós-operatório etc.; Cuidados paliativos no controle da dor e promoção do conforto; Nas ações de reabilitação musculoesqueléticas e recuperação funcional; Enfermagem do trabalho para assistência no tratamento de lesões ocupacionais e recuperação do trabalhador; Estética; Saúde da Mulher; e Enfermagem Neonatal e Pediátrica em tratamento de lesões em amplo contexto e doenças específicas como a epidermólise bolhosa congênita.
Especificamente nesta patologia, vale pontuar-se que a epidermólise Bolhosa (EB) é um grupo de doenças genéticas raras caracterizadas pela extrema fragilidade da pele e das mucosas, resultando na formação de bolhas e feridas a partir de mínimos traumas. O cuidado de enfermagem ao paciente com EB é complexo, contínuo e centrado na prevenção de lesões, controle da dor, manejo de feridas crônicas e promoção da qualidade de vida.
As lesões cutâneas na EB frequentemente evoluem com dificuldade de cicatrização, alto risco de infecção, dor intensa e impacto emocional significativo para o paciente e sua família. Nesse cenário, o laser terapêutico surge como uma alternativa complementar relevante.
Para o enfermeiro, a aplicação do laser em pacientes com EB exige extrema delicadeza, domínio técnico e atenção rigorosa à avaliação da pele, considerando o tipo de EB, a profundidade das lesões e a resposta individual ao tratamento. A fotobiomodulação deve ser utilizada como terapia adjuvante, associado a curativos e coberturas específicas, controle da umidade, analgesia adequada e abordagem multiprofissional.
Amparada por respaldo legal, evidência científica e capacitação técnica, a laserterapia consolida-se como uma ferramenta segura e eficaz na prática da enfermagem, ampliando possibilidades de cuidado e fortalecendo a autonomia profissional.